sexta-feira, 24 de maio de 2013

Quero voltar... a sentir

Era inverno. E às vezes tudo que eu quero é sentir aquela mesma sensação. Eu olhava e sentia o mundo, sentia o tempo. Sentia a natureza. Eu me sentia. Eu era livre. Eu procuro essa mesma sensação, eu quase chego lá. Eu chego perto muitas vezes. Mas ela nunca mais será inteiramente minha. Agora eu sinto as pessoas, e as coisas, e os objetivos, e as metas, e as teorias, e os por quês. E tenho que tentar ver quem fez tudo, e o que eu vou fazer de tudo... E quem está por trás de tudo. A diferença é que antes eu não pensava, eu apenas sentia, e era uma sensação incrível. Eu podia sentir o gosto do tempo. E eu sentava, deitava, e olhava, e sentia, e não se passava uma palavra pela minha mente. Nem uma música. Nem uma pessoa. E eu poderia ficar ali o tempo que fosse necessário. Não doía, nem me trazia felicidade. Era apenas, natural. O sol, o frio. O cheiro. Mas o tempo passa, e colocam cada vez mais coisas nas nossas cabeças, e já não dá mais pra sentir sem pensar. O pensar se sobrepõe ao sentir em tudo. Não é mais permitido só sentir, assim como não é possível. Se antes haviam pássaros por detrás das árvores, agora há números. Já não posso enxergar as coisas como elas realmente são, só o que fizeram delas, artificiais. E me perco nos meus pensamentos, e nos meus sentimentos então... E as pessoas embaçam tanto a nossa visão à respeito da realidade. Às vezes posso enxergá-las na natureza. Mas se eu não enxergasse as pessoas e sim a natureza assim como ela é, talvez assim eu me veria como eu sou. O que para uns pode ser muito simples, para mim chega a ser impossível. Quem sou eu? Da onde vim e para onde vou... As duas últimas perguntas tenho que admitir que já não me interessam muito. Mas a primeira... muito. Tento me observar, tento me ter. Mas não me tenho. É como se houvessem pedaços meus por toda parte. E tudo que eu queria era juntá-los. Me encontrar. Saber o que me faz bem. Saber o que eu quero. Saber onde eu estou e para onde estou indo. Preciso de um tempo, só pra mim. Sem ninguém, sem nada. Quero sentir aquela sensação de novo, mesmo sabendo que nunca mais a alcançarei verdadeiramente.

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